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Água é tema de Seminário Municipal realizado no UNIFEMM

Recurso natural essencial para a sobrevivência de qualquer ser vivo no planeta, a água é um tema que preocupa os líderes em todo mundo. Afinal, os cientistas têm uma previsão nada animadora, pois cerca de dois terços da população mundial será afetada pela escassez até 2050. Sete Lagoas não fica fora dessa discussão. A maior parte do abastecimento de água da cidade é feito através da retirada dos poços subterrâneos e, há quase dois anos, complementado pelo sistema de captação do Rio das Velhas.

Para garantir a sustentabilidade desse sistema, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do município encomendou um estudo hidrogeológico, com o objetivo de conhecer melhor a real situação desse grande reservatório natural. O assunto foi discutido durante o 1o Seminário realizado em parceria com a autarquia municipal com o tema “Apresentação do estudo hidrogeológico de Sete Lagoas e a preservação dos cursos d’água”, realizado na quarta-feira, 11 de abril, no Auditório do UNIFEMM. O evento contou com a presença do prefeito municipal, Leone Maciel, do Reitor Dr. Antônio Bahia e do chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Dr. Antônio Álvaro Purcino, além de secretários municipais, vereadores, professores e alunos dos cursos do UNIFEMM.

“É muito importante este evento acontecer no UNIFEMM. Desta forma, o poder público, a Prefeitura e o SAAE, buscam a expertise e os conhecimentos acadêmicos necessários para avançarmos no desenvolvimento da nossa cidade”, afirmou o prefeito de Sete Lagoas, Leone Maciel. O Reitor do UNIFEMM, Dr. Antônio Bahia, reafirmou o compromisso da instituição de contribuir para o desenvolvimento da região. “É muito importante a cidade avançar por meio do conhecimento e da ciência, que se colocam à serviço da sociedade. A nossa comunidade acadêmica está sempre à disposição para colaborar com os temas fundamentais de interesse público”, observou.

Professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Paulo Henrique Galvão fez sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) com base nos estudos hidrogeológicos de Sete Lagoas. Segundo ele, a parte central de Sete Lagoas está situada em cima de uma grande área de carstificada, o que é positivo para o abastecimento de água. Mas, é preciso certos cuidados. “De um lado, o município tem uma grande quantidade de água disponível para o abastecimento. Por outro lado é uma reserva muito sensível, pois está muito exposta à contaminações”, explica o professor da UFOP. Ele recomenda que é preciso ter atenção redobrada para manter a sustentabilidade.

Paulo Galvão também chama a atenção para o nível de águas nestes poços subterrâneos, que, com uma extração excessiva, pode entrar em colapso. “O primeiro poço perfurado foi na década de 1940, ou seja, há mais de 70 anos há a retirada de água durante 24 horas por dia. O resultado disso é um cone de rebaixamento”, avalia. Os dados coletados pelo estudo hidrogeológico indica que foram encontrados rebaixamentos do nível de até 30 metros de profundidade. “Isso pode resultar abatimentos ou mesmo um colapso do solo, como aquele ocorrido no bairro Santa Luzia no final da década de 1980”, recorda.

Para evitar novos abatimentos, o doutor em hidrogeologia recomenda descentralizar a extração de água para outros pontos menos suscetíveis. “É importante retirar a grande extração que está concentrada no centro do município e espalhar para outros pontos, para evitar esse estresse hídrico”, explica. Segundo ele, o estudo hidrogeológico e os mapeamentos são ferramentas essenciais para direcionar a exploração da água. “Em alguns casos nem é preciso diminuir o volume de água retirado, basta ter um uso mais sustentável e inteligente”, garante Paulo Galvão.

O evento ainda contou com a palestra do Engenheiro Agrimensor e Doutor em Educação Ambiental Laudo Luiz Mota Serrano. Ele falou sobre a importância da criação das Áreas de Proteção Ambiental (APA) dos córregos Marinheiro e Machado, para proteger os recursos hídricos no município.

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