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Reuso de água na indústria é tema de dissertação do Mestrado do UNIFEMM

Recurso natural essencial para a vida humana, a água é uma preocupação em todo o mundo. Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que até 2025 mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta da água. E mesmo com 12% de reserva mundial, dados do Ministério da Integração Nacional indicam que 917 dos 5.570 municípios brasileiros, cerca de 16%, convivem com o desabastecimento.

Diante de um problema tão importante, poder público e iniciativa privada se juntam para procurar soluções viáveis para manter os níveis de abastecimento em todo mundo. Entre as principais soluções pesquisadas é o reuso do recurso, principalmente pelas indústrias. Este foi o tema de dissertação do Engenheiro Mecânico e Ambiental Márcio Alvarenga Miranda para o mestrado em Biotecnologia e Gestão da Inovação do UNIFEMM. “Desde o início da minha carreira profissional, o consumo de água é uma das minhas principais preocupações”, relata.

Com o tema “Contribuição da ozonização no polimento de efluente têxtil e produção de 25% de água de reuso: Estudo de caso em Sete Lagoas”, o engenheiro fez um longo estudo sobre a aplicação do ozônio para o tratamento terciário, realizado para retirar poluentes específicos não removíveis pelos métodos biológicos convencionais. “Encontramos um método muito eficiente”, garante Márcio Alvarenga, que fez um projeto piloto junto à Companhia Cedro Cachoeira. Através dos estudos, o engenheiro procurou aumentar o reuso da água pela indústria, de forma a reduzir a captação direta.

“Este estudo é de suma importância. O ozônio se mostrou eficiente no tratamento da água e é uma tecnologia altamente promissora”, explica o orientador da dissertação, o Dr. Ivanildo Evódio Marriel, professor do UNIFEMM e pesquisador da Embrapa. Segundo ele, a utilização do método na indústria têxtil ainda é recente e, por isso, é importante conhecer as potencialidades para viabilizar a utilização em larga escala. “Além de ter uma contribuição acadêmica, a dissertação traz importantes resultados para a indústria e pode apresentar um impacto direto para a sociedade”, avalia o professor e pesquisador.

Para Dr. Ivanildo Marriel, o reuso da água na indústria precisa ser ampliado no Brasil. “Em média, nos últimos 10 anos, a nossa reserva natural caiu drasticamente”, revela. A consequência são leis cada vez mais severas para resguardar as reservas ainda existentes. Em Minas Gerais, em caso de escassez, as indústrias precisam reduzir em 30% seu consumo. Em Sete Lagoas, uma lei já proíbe a perfuração de poços artesianos pela iniciativa privada. “Infelizmente estamos discutindo em 2018 no Brasil uma técnica utilizada na Europa há 100 anos, no período da 1a Grande Guerra Mundial, quando os rios europeus estavam contaminados. Eles tiveram que reutilizar cinco vezes a água para o consumo das comunidades antes de ser descartada”, revela Márcio Miranda.

O uso do ozônio para o tratamento da água não fica restrito apenas à indústria têxtil. “Em São Paulo já existem empresas utilizando o processo em pequena escala”, afirma o aluno do mestrado do UNIFEMM. Segundo ele, o método pode ser utilizado para o tratamento de poços com metais pesados e alguns componentes tóxicos e pode ser utilizado até mesmo em piscinas no lugar do cloro, produto que muitas vezes pode causar irritação. “Existem até projetos de irrigação de lavouras com água ozonizada. “O potencial é muito grande. Em pouco tempo poderemos reduzir o índice de poluentes em nossas águas”, garante.

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