
Figura bem guardada na memória e no coração de todos os sete-lagoanos, foi, talvez, o maior incentivador do ensino entre nós, numa época em que estudar era privilégio de poucos, pois a cidade só tinha o ensino primário. Sensibilizado por essa situação, criou o Ginásio “Dom Silvério”, que dirigiu durante muito tempo, e a Escola Normal “Regina Pacis”, cuja direção entregou, inicialmente, à professora Dona Edith Furst, ambos com regime de internato e externato.
Uma de suas maiores preocupações foi com respeito à existência de pessoas que pudessem ministrar o ensino. Para o Ginásio “Dom Silvério”, procurou contar com a prata da casa, contratando médicos, advogados, engenheiros, farmacêuticos, enfim todos que pudessem contribuir com seus conhecimentos para o funcionamento do estabelecimento de ensino. Assim, Doutor Benedito Otoni, Alberto Texeira Paes, Maurilo de Jesus Peixoto, Bolívar de Freitas, Othon Andrade, Hilton Gonçalves, José Avelino Macedo, João Fernandino Júnior, Oswaldo Campos, Abeylard Pereira Dutra, Álvaro Furst e Dona Edith Furst passaram a ministrar aulas no Ginásio.
Mas ainda faltavam professores, e ele foi buscá-los na Europa, valendo-se de sua amizade com o Arcebispo de Paris. Para cá vieram, então, José Quiroga e Perfecto (espanhóis), Radi Gorski (búlgaro), Pedro Kröeling (alemão), Maurice (francês), completando-se o quadro de professores. Dedicando-se inteiramente à vida sacerdotal, passou a administração do Ginásio a outros professores, entre eles, Radi Gorski e, após, José Queiroga.
Como diretor e sempre atento à vida do Dom Silvério, era seu costume, toda quinta-feira, reunir os alunos no salão de estudo (hoje capela), e, tendo nas mãos o boletim de cada um, destacava aqueles que tinham baixo aproveitamento e comportamento, dando-lhes uma verdadeira aula de moral e educação.
Certa vez, quando se encontrava à frente da direção o professor Radi Gorski, houve uma rebelião dos alunos, pois sendo feriado o dia 12 de outubro, o diretor não suspendeu as aulas como devia. Em sinal de protesto, os internos correram para o campo de futebol na saída do salão de estudo, saltaram o muro e se dirigiram para a rua em frente, onde os externos realizavam uma passeata de protesto. Ao tomar conhecimento do que estava se passando, Monsenhor Messias convocou todos os alunos e professores para uma reunião à noite, quando, depois de advertir o diretor pela falta de respeito para com as leis brasileiras, passou, também, a orientar os alunos, dizendo-lhes que na ocorrência de fatos graves, deveriam, primeiramente, procurá-lo antes de tomarem qualquer atitude hostil. Valeu a lição para todos.
Outro fato também interessante: seu motorista, de nome Olavo, era também aluno. Mas, quando Mosenhor dele precisava, tocava um sino localizado junto à sala da parede da sala de estudo e Olavo saia correndo para atendê-lo.
Dotado de grande devoção à Nossa Senhora, organizava no mês de maio uma procissão, às 7 horas da manhã, partindo da antiga e desaparecida Capela do Rosário, onde se encontra, hoje, o Palácio Episcopal. A característica era que todos os participantes se vestiam de branco e uma ala era composta só de homens e outra só de mulheres. A procissão se encerrava com uma Missa Solene, na Matriz de Santo Antônio, a única da época.
Um outro hábito dele era, uma vez por semana, geralmente às quintas-feiras, dirigir-se na hora do jantar à casa de um dos seus paroquianos, onde tomava uma sopa, fazendo verdadeiro apostolado de relações públicas.
Além de se preocupar com o ensino, também se dedicava, com o mesmo entusiasmo, aos problemas sociais, criando a Sociedade São Vicente de Paulo, o Banco dos Pobres e distribuindo, uma vez por semana, pão de Santo Antônio aos mais necessitados.
Sua saída de Sete Lagoas, indo a Belo Horizonte para dirigir o Seminário Eucarístico, causou profunda tristeza na população, que tinha por ele verdadeira estima. Em Belo Horizonte, fundou o Carmelo, onde, durante seus últimos dias de vida, já recolhido ao leito, veio a falecer. Seu corpo, de acordo com seu desejo, foi levado para Sete Lagoas, onde se encontra enterrado no Cemitério Santa Luzia, que se tornou local de grande visitação e pedido de graças.
Este é o grande apóstolo, patrono de nossa Fundação Educacional, que, neste ano, presta-lhe significativa homenagem inaugurando seu busto no Campus Universitário, como um exemplo de personalidade que soube amar esta terra, contribuindo, decisivamente para seu progresso.